quinta-feira, setembro 17, 2009

POESIA ARGENTINA FERNÁNDEZ MORENO



FERNÁNDEZ MORENO
(1886-1950)
Baldonero Fernández Moreno (Baldomero Eugenio Otto Fernández Moreno ) nació en Buenos Aires, República Argentina.  Médico y poeta. Colaboró en La Prensa, La Nación, Caras y Caretas y otras publicaciones.
Ganó el Premio Nacional y el premio Municipal de las Letras.
Obra poética: "Las iniciales del misal" (Buenos Aires, 1915; “Interdio provinciano” (1916), "Ciudad" (1917), "Por el amor y por ella" (1918). "Campo", "Campo argentino" (1919), "Versos de Negrita" (1920), "Nuevos poemas" (1921). "Canto de amor, de luz y de agua (1922), "El hogar en el campo" (1923), "Aldea española" (1925), "el hijo" (1926), "Decimas" (1928), Poesía" (1928) "Sonetos" (192(), " Ultimo cofre de negrita" (1929), "Cuadernillos de verano" (1931), "Romances" (1936), "Yo, médico; yo, catedratico" (1941), "Buenos Aires: ciudad, pueblo, campo" (1941), "Tres poemas de amor" (1941) , "Sonetos cristianos" (1942), "Antología", 1915-1945 (Buenos Aires, 1945
  
Traduções de Ivan Doretto
                       SONETO DOS AMANTES
                                              
                   Vede em sombras o quarto e sobre o leito                           
                   desnudos, afogueados, roçagantes,
                   em nó vivo e carnal os dois amantes,
                   boca com boca e peito contra peito.
                   Faz-se mais apertado o nó estreito,                 
                   bailam febris os dedos delirantes,
                   o alento se suspende por instantes...
                   e eis finalmente o nó sexual desfeito.
                   Desordem de lençóis e de almofadas,
                   as pálidas cabeças despenteadas,
                   uma solta palavra indiferente,
                   de fome um pouco, um pouco de tristeza,
                   um infantil desejo de pureza
                   e um vago olor de não-sei-quê no ambiente. 
                 
SONETO DE TUAS VÍSCERAS
                                          
                   Já farto de louvar-te a tez dourada,
                   as externas e muitas perfeições,
                   canto o jardim azul dos teus pulmões
                   e a traquéia garbosa e anelada.
                   Canto-te a massa intestinal rosada,
                   o baço, o pâncreas, músculos, tendões,
                   os rins, as glandulares secreções
                   e essa matriz profunda e renovada.
                   Canto a medula doce em meus arpejos,
                   toda a linfa que embebe teus tecidos,
                   o acre e orgânico cheiro que extravasas.
                   Quero gastar-te as vísceras com beijos,
                   viver dentro de ti com meus sentidos...
                   Eu sou um sapo negro que tem asas.
Traduções gentilmente cedidas pelo tradutor Ivan Doretto,
página publicada em janeiro de 2008.

Paul Eluard in Poésies et vérités

creerlapaix.com


Liberdade

Nos meus cadernos de estudante
Na escrivaninha e nas árvores
Na areia nevada
Escrevo o teu nome

Nas páginas lidas
Em todas as páginas brancas
Pedra sangue papel ou cinza
Escrevo o teu nome

Nas imagens douradas
Nas armas dos guerreiros
Na coroa dos reis
Escrevo o teu nome

Na selva e no deserto
Nos ninhos entre as giestas
No eco da minha infância
Escrevo o teu nome

Nos meus trapos de caloiro
No açude de sol bafiento
No lago de lua esperta
Escrevo o teu nome

Nos campos no horizonte
Nas asas dos passarinhos
No moinho tenebroso
Escrevo o teu nome

Em cada sopro da manhã
No mar e nos navios
Na insensata montanha
Escrevo o teu nome

Na espuma das nuvens
E nos suores da borrasca
Na chuva densa e insípida
Escrevo o teu nome

Nas formas cintilantes
Nas cores dos sinos
Na verdade física
Escrevo o teu nome

Nos caminhos conscientes
Nas estradas estendidas
Nas praças que trasbordam
Escrevo o teu nome

Na lâmpada que se acende
E naquela que se apaga
Nas minhas razões reunidas
Escrevo o teu nome

No fruto cortado em dois
Do espelho e do meu quarto
Na cama concha vazia
Escrevo o teu nome

No meu cão glutão e terno
De orelhas levantadas
Na sua pata desastrada
Escrevo o teu nome

No limiar da minha porta
Nos objectos familiares
No rolo de fogo sagrado
Escrevo o teu nome

Em toda carne acordada
Na testa dos meus amigos
Em cada mão que se estende
Escrevo o teu nome

Na janela de surpresas
E nos lábios comoventes
Mais longe que o silêncio
Escrevo o teu nome

Nos refúgios destruídos
Nos meus faróis extintos
Nos muros do meu tédio
Escrevo o teu nome

Na vacuidade sem desejo
Na desnuda solidão
Nas escadas da morte
Escrevo o teu nome

Na saúde reencontrada
No risco extraviado
Na fé sem recordação
Escrevo o teu nome

E pelo poder duma palavra
Recomeço a minha vida
Nasci para te conhecer
Para te nomear.

Paul Eluard
in Poésies et vérités, 1942

Tradução: Fernando Oliveira    Poema de Paul Éluard inserido na colectânea da sua poesia «Poemas de Amor e de Liberdade» 
http://franceportugal1.blogspot.com/

Rainer Maria Rilke

Rainer Maria Rilke



O Poema
Rainer Maria Rilke nasceu em Praga em 4 de dezembro de 1875. É considerado como um dos mais importantes poetas modernos da literatura e língua alemã, por sua obra inovadora e seu incomparável estilo lírico.
"Poeta fundamental, Rilke é a voz de uma época em transição. Talvez seja a última voz do seu tempo, aquela que anunciou o "fim dos tempos modernos", como quer Romano Guardini, e ao mesmo tempo a primeira voz e o primeiro poeta dessa nova era que estamos começando a viver."
(Paulo Plínio Abreu - parte de uma introdução
sobre a obra de Rilke publicado no jornal paraense:
"Folha do Norte" entre os anos de 1946 e 1948)



A Pantera
                        No Jardin des Plantes, Paris
De tanto olhar as grades seu olhar
esmoreceu e nada mais aferra.
Como se houvesse só grades na terra:
grades, apenas grades para olhar.

A onda andante e flexível do seu vulto
em círculos concêntricos decresce,
dança de força em torno a um ponto oculto
no qual um grande impulso se arrefece.

De vez em quando o fecho da pupila
se abre em silêncio. Uma imagem, então,
na tensa paz dos músculos se instila
para morrer no coração.

(Tradução: Augusto de Camp

Quando eu morrer quero ficar (Ode a Mário de Andrade) ::


Quando eu morrer quero ficar (Ode a Mário de Andrade) ::

Categoria: Paisagens e lugares
Autor(a): Rubens Ramon Romero | história publicada em 5/8/2009
Quando eu morrer quero ficar,
Ao lado de meus amigos.
Sepultado no cemitério do Brás.
Na Quarta e Última Parada.
Saudades.

Meus pés enterrem...
Num campinho da várzea antiga.
Na baixada do Glicério meu sexo.
A cabeça no grupo escolar.
Lembranças.

No Museu do Imigrante
Afundem meu coração brasileiro.
Não esqueçam como vivi.
Junto de duas pátrias.
Amadas.

Nos Correios enterrem minha pasta de Office Boy.
Meu ouvido tampe-os com algodão
Não quero ouvir mais besteiras.
Asneiras.

O nariz que cheire as rosas.
No Jardim do Edem.
A voz deixe na Liberdade.
Maldade

As nádegas.
Nos bancos da Paulista
Os olhos no esquife da mulher.
Amada.

As mãos deixem presas, juntas.
No coração. No Incor.
Os joelhos, na Igreja do Brás.
As tripas, já as perdi.
Esqueçam.

O Espírito é de Deus,
Deixe embalado, no Paissandu,
No colo da Estatua Mãe Negra.
Aos inimigos deixem o Epitáfio.
Kardecista: Volto Logo!

e-mail do autor: rrubensrr@bol.com.br
ORIGINAL
QUANDO EU MORRER

Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus inimigos,
Sepultado em minha cidade,
          Saudade.

Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
          Esqueçam.

No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
          Bem juntos.

Escondam no Correio o ouvido
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
Quero saber da vida alheia,
          Sereia.

O nariz guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade.
          Saudade...

Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
          Saudade...

As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
          Adeus.

                            De Lira Paulistana    http://www.algumapoesia.com.br/poesia/poesianet078.htm

quarta-feira, setembro 16, 2009

Espólio documental de Pessoa classificado tesouro nacional



por Lusa14 Setembro 2009
O decreto-lei que classifica como bem de interesse nacional o espólio documental do poeta Fernando Pessoa, com o objectivo de "evitar o risco de dispersão, deterioração ou perecimento", é hoje publicado em Diário da República.
De acordo com o diploma n.º 21/2009 do Ministério da Cultura, esta classificação, que entra em vigor a partir de terça-feira, dia 15 de Setembro, passa a designar o espólio do escritor como tesouro nacional.
Pelo decreto-lei ficam abrangidos "todos os documentos produzidos ou reunidos por Fernando Pessoa, seja na forma de manuscritos autógrafos, isolados ou integrados em documentos de terceiros, assinados ou não, de dactiloscritos ou tiposcritos, com ou sem intervenção autógrafa, assinados ou não".
São ainda incluídos "todos os documentos biográficos de Fernando Pessoa ou que registem as suas técnicas e hábitos, assinados ou não, seja qual for o acabamento do texto ou textos neles contidos, e os documentos impressos que se reconheça terem pertencido à sua biblioteca e ostentem marcas autógrafas de utilização".
No diploma, o Ministério da Cultura recorda que o processo de classificação do espólio de Fernando Pessoa foi levado a cabo pela Biblioteca Nacional de Portugal no âmbito das respectivas atribuições, "tendo contado com o parecer dos mais importantes especialistas da obra pessoana" e houve "consenso unânime sobre o nível de protecção que se torna imperativo atribuir ao espólio.
"O testemunho de civilização e cultura do espólio de Fernando Pessoa reveste-se de interesse nacional e exige a respectiva protecção e valorização, atendendo ao relevante interesse cultural, designadamente histórico, linguístico, documental, artístico e social, reflectindo valores de memória, autenticidade, originalidade, raridade, singularidade e exemplaridade", é sublinhado no diploma.
Nesse processo - recorda ainda - "foi realizada a audiência prévia de todos os proprietários e detentores conhecidos das partes componentes do espólio documental de Fernando Pessoa, bem como consulta pública e divulgação pública na página electrónica da Biblioteca Nacional de Portugal de todos os documentos que integram o procedimento de classificação".
No diploma é ainda assinalado que o escritor deixou publicada em vida uma décima parte da obra e que esta circunstância "atribui ao seu espólio um valor cultural único".
"Se para qualquer autor o espólio testemunha vivências relevantes do percurso seguido no acto de criação, registando as respectivas técnicas e os hábitos de trabalho, no caso de Fernando Pessoa os autógrafos e demais documentos genéticos que integram o seu espólio tiveram, e continuarão a ter, um valor fundacional do legado conhecido e por conhecer", sublinha o texto do decreto-lei.
Sustenta ainda que "não se tratando de materiais acabados ou definitivamente fixados pelo autor, o espólio constitui uma matriz aberta a diferentes leituras que nem o mais laborioso conjunto de investigações poderá fechar".
O decreto-lei foi aprovado em Conselho de Ministros a 30 de Julho deste ano.
Num leilão polémico realizado em Lisboa, em Novembro do ano passado, pelos herdeiros de Fernando Pessoa, a Biblioteca Nacional de Portugal adquiriu vários dos lotes colocados à venda, entre eles cartas, outros documentos manuscritos e o dossier "Pessoa-Crowley".

Casa Fernando Pessoa transforma-se em poema

http://bit.ly/CdOQx


por LusaHoje
A Casa Fernando Pessoa (CFP Casa Fernando Pessoa (CFP) transforma-se hoje num poema, por dentro e por fora, com várias versões de uma ode de Ricardo Reis impressas na fachada exterior e nas paredes do edifício lisboeta.
A inauguração da casa-poema será acompanhada de animação de rua, ao longo do dia, e às 19:30, actores da Tenda - Palhaços do Mundo dirão poemas de Pessoa das janelas da casa do poeta para a rua, indicou a CFP em comunicado.
"s 21:30, na rua (Coelho da Rocha, em Campo de Ourique), realiza-se um espectáculo musical pelo Flak Ensemble.
Seguir-se-á, pelas 22:30, a representação da peça de teatro "Todos os Casados do Mundo são Mal-Casados", com dramaturgia da escritora Inês Pedrosa, directora da CFP, a partir de textos de Ovídio e Fernando Pessoa, encenada e interpretada por Diogo Dória.

terça-feira, setembro 08, 2009

ALEXANDRE ACAMPORA S/T


Procure nas cidades
Procure nas matas de todo o planeta
Procure arredondado
Procure a redondilha
Porque o mundo é rotondo
E você é quadrado coitado.
 
Escape da bala perdida
Perdida está a vida
Tiroteio na avenida
Se jogue ao chão
Cudado
Rola chumbo grosso
Dos calibres do povo armado
O govenador trafica cocaína
O presidente cafunga na esquina
A autoridade imoral é banal
Só não faço sexo anal
Diz a puta num bacanal.
 
Já fumou um back?
Por que não mata uma pedra
E explode os miolos num crack?
 
A poesia
O poema
O tema
A critica titica
Crítica de merda
Resposta pra você
É soneto do Mário Faustino.
 
Pega leve
Pega leve
Que a ladeira é breve.
 
Pelos campos do senhor
Lancei sementes de mostarda
Não porque para um monge é sagrada
Mas para comer pão com linguiça
Molho de tomate e mostarda
E pra dizer que o mundo é redondo
Rotondo rotundo robusto como o busto
De um índia Kraô.
 
Itaquaquecetuba
Tú entuba?
Caranguatatuba
Entuba?
Ubatuba
Tuba?
Tuba tum tiscatum tuba tum
Sabe o significado de tuba
Na língua dos índios daqui?
Tuba prazer e escrever
Tuba prazer em responder
Tuba prazer  renascer
 
Parir
Parear
Parecer a palavra
O mel
O mal
O eu melado viscoso
Lento
Lendo
A poesia reflete o sistema
Deflete o sistema
Detesta otoridades.
 
Otário
Já encarou o povo faminto?
A luta pela terra?
 
A poesia o poema o mito
O mytheo os gregos
O mytheo a narrativa
Ativa sativa saliva sêmem
Água vida
A mitologia é a lavra a larva
A larva escorre
O tempo endurece a alma
A mãe a terra
O trem o avião a fibra ótica
Letra
Litera
Leite
Letra latente
Alimento do espírito
Ilusão
O verbo já era deus
O homem
Fez - se verbo
A parbola parole palavra
Role
Rola a coisa
A literatura
Paixão da humanidade.
 
Saiba bem
A natura a phisis
A estética
Imagética
Não saiba
Seja
Seja lá quem você for.
 

ELKE MARAVILHA X P CESAR PEREIO

ELKE SEMPRE ELKE! UM SER ILUMIINADO QUE PASSOU POR NOSSA GALÁXIA SUA BIOGRAFIA PELO CHICO FELIPETTI DEIXA A DESEJAR,BREVE COMENTAREMOS. TRIS...