LUIZ RUFFATO por Antonio MIranda
O RIO APASCENTA A NOITE
(segunda versão)
à noite o rio/
se torna de vidro/.
como uma serpente/
digere a escuridão/
e não mais se move/
e o barulho que se ouve/
é apenas o eco do bater/
de suas águas/
nas pedras/
o dia inteiro/
e o som não consegue se desvencilhar/
da barreira formada pelas árvores e touceiras de capim/
de suas margens/
mas mesmo tendo certeza de sua paralisia vitral/
ouvimos o som monótono/
e ao mesmo tempo fluídico/
que se labirinta pelos nossos ouvidos/
e nos faz parte dele./
a noite torna-se morta/
passo/
a /
passo/
a cidade se esvai pelos poros/
das janelas e portas das casas ribeirinhas/
a noite agoniza/
perde sangue/
assassinada pelo punhal da lua amarelo-
laranja que se descortina por detrás das/
nuvens
deixando-nos apenas antevê-las/
adivinhá-la
encapuçada./
neste
rio lanço/
a pedra fundamental
de minha sepultura.
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