terça-feira, outubro 23, 2012

LUIZ RUFFATO por Antonio MIranda

O RIO APASCENTA A NOITE (segunda versão) à noite o rio/ se torna de vidro/. como uma serpente/ digere a escuridão/ e não mais se move/ e o barulho que se ouve/ é apenas o eco do bater/ de suas águas/ nas pedras/ o dia inteiro/ e o som não consegue se desvencilhar/ da barreira formada pelas árvores e touceiras de capim/ de suas margens/ mas mesmo tendo certeza de sua paralisia vitral/ ouvimos o som monótono/ e ao mesmo tempo fluídico/ que se labirinta pelos nossos ouvidos/ e nos faz parte dele./ a noite torna-se morta/ passo/ a / passo/ a cidade se esvai pelos poros/ das janelas e portas das casas ribeirinhas/ a noite agoniza/ perde sangue/ assassinada pelo punhal da lua amarelo- laranja que se descortina por detrás das/ nuvens deixando-nos apenas antevê-las/ adivinhá-la encapuçada./ neste rio lanço/ a pedra fundamental de minha sepultura.

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